A pergunta que todo credor faz antes de vender: quanto vale realmente a minha dívida? A resposta curta: aquilo que um investidor estiver disposto a pagar por ela. A resposta longa depende de cinco fatores.
1. A solvência do devedor
É o fator mais importante. Uma dívida contra uma empresa em atividade e com patrimônio vale muito mais do que uma contra uma sociedade encerrada ou uma pessoa física insolvente. Os compradores investigam o devedor antes de fazer uma proposta: situação cadastral, bens, penhoras, outros processos e o score e a negativação no Serasa.
2. A idade da dívida
Quanto mais recente, melhor. Dívidas com menos de um ano se vendem com deságios menores; a partir de 3 ou 4 anos o desconto cresce muito. Não esqueça os prazos de prescrição: muitos créditos, como duplicatas, prescrevem em prazos curtos.
3. A documentação disponível
Notas fiscais, comprovantes de entrega, contratos ou uma confissão de dívida por escrito multiplicam o valor. Uma dívida sem documento praticamente não tem mercado.
4. Existência de ação judicial ou protesto
Uma dívida com sentença ou título executivo elimina o risco jurídico (sobra apenas o risco de cobrança) e alcança um preço melhor. Um título protestado em cartório também reforça a prova e pressiona o devedor. Alguns investidores, por outro lado, preferem dívidas sem processo para conduzir eles mesmos a cobrança.
5. O valor total
Dívidas muito pequenas atraem menos interesse (os custos fixos de recuperação pesam demais) e as muito grandes reduzem o número de compradores possíveis. As carteiras de crédito permitem agrupar valores pequenos e torná-los atrativos.
Qual deságio aplicar?
A título indicativo: dívidas recentes, documentadas e com devedor solvente, deságios de 20% a 40%; dívidas de risco médio, 40% a 70%; dívidas antigas ou difíceis de cobrar, descontos acima de 70% ou venda aberta a propostas.
Recomendamos sempre anunciar com um deságio mínimo de 20% e marcar o preço como negociável: o mercado dirá rapidamente se a sua expectativa é realista.
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Onde pesquisar antes de precificar
Vale consultar as informações do Banco Central sobre crédito e regulação para entender o contexto do mercado. Lembre-se: a Debtalia conecta você a compradores, mas quem define e negocia o preço são as partes.
O custo de não vender
Ao avaliar a sua dívida, compare sempre com a alternativa: anos de ação judicial, custas, honorários de advogado e a possibilidade real de não receber nada se o devedor entrar em recuperação judicial ou falência. Um deságio razoável hoje costuma ser melhor negócio do que uma cobrança incerta amanhã.