Recebe a notícia de que um cliente que lhe deve dinheiro entrou em insolvência. A primeira reação é dar a dívida por perdida — mas nem sempre é o caso. Muitas vezes ainda há valor a recuperar, e vender o crédito pode ser a melhor via.
O que acontece quando um devedor entra em insolvência
Abre-se um processo em que os credores devem reclamar os seus créditos num prazo definido. Depois, os créditos são graduados por ordem de prioridade e pagos, na medida do possível, com o produto da liquidação dos bens da empresa.
O problema: os credores comuns costumam estar no fim da fila, atrás dos créditos garantidos e privilegiados. O processo pode arrastar-se anos e, muitas vezes, o rateio final é uma pequena fração do valor.
Porque vender o crédito reclamado na insolvência
- Liquidez já: recebe hoje um valor certo em vez de esperar anos por um rateio incerto.
- Sem gestão processual: o comprador assume o acompanhamento do processo.
- Transfere o risco: se a liquidação render menos do que o esperado, o problema já não é seu.
Quem compra créditos sobre insolventes?
Investidores especializados em situações de insolvência, que sabem avaliar as probabilidades de rateio e têm paciência para esperar pelo desfecho do processo. Compram com grandes descontos, mas dão-lhe uma saída onde muitos veem apenas uma perda.
Quanto vale um crédito destes?
Depende da graduação do crédito (garantido, privilegiado ou comum), da massa insolvente disponível e da fase do processo. Um crédito garantido numa insolvência com ativos vale bastante; um crédito comum numa empresa sem bens, muito pouco. Ainda assim, quase sempre é melhor recuperar algo do que nada.
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Conclusão
A insolvência de um devedor não significa forçosamente perda total. Reclame o crédito no processo e, se não quiser esperar anos, coloque-o à venda: há investidores dispostos a assumir esse risco em troca de um desconto.